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Parte 2 Da Série Respostas E Recuperação Diante Da COVID-19

Nicholas Bahr, Diretor Global da Prática de Gestão de Riscos Operacionais DuPont Sustainable Solutions (nicholas.bahr@consultdss.com)

Com o desenrolar da crise gerada pela COVID-19, líderes políticos e empresariais parecem andar no escuro, usando uma ampla variedade de medidas não testadas para limitar os danos às suas economias, comunidades e operações. Em meio a tudo isso, surge um paradoxo: a passagem do tempo está impactando negativamente a receita das organizações, mas ainda assim nos permite aprender e aprimorar estratégias de mitigação que podem ajudar a garantir a continuidade dos negócios e também proteger as pessoas.


Na edição anterior de nossa Série de Respostas e Recuperação diante da COVID-19, discutimos em que grau as empresas estavam preparadas para reagir à crise imposta pela COVID-19 e destacamos sete recomendações importantes para os líderes começarem a planejar os esforços de reação e recuperação. Com base em crises passadas e em organizações que já estão começando a se recuperar, vamos compartilhar aprendizados e as melhores práticas que ajudam a garantir a continuidade dos negócios e a conduzir um processo de recuperação mais eficiente.


Sete lições aprendidas


Embora ainda haja muita incerteza - seja por falta de conhecimento sobre a dinâmica do coronavírus, pela duração dos bloqueios (lockdowns) ou pelas perspectivas econômicas mundiais, podemos citar as melhores práticas desenvolvidas na China, Coréia do Sul e em outros lugares, bem como as adquiridas em crises passadas, para ajudar as empresas a desenvolver planos eficazes e se manter um passo à frente na atual crise.


O que mais importa são as pessoas


Embora questões financeiras e pressões de acionistas sejam previsíveis em momentos como este, muitos danos podem ser causados se os líderes não priorizarem a segurança e a saúde dos funcionários durante os processos de resposta e recuperação de crises. Por exemplo, enquanto os concorrentes Nike e UnderArmour anunciavam que fechariam suas lojas nos Estados Unidos, Canadá e Europa e pagariam os funcionários por turnos perdidos, a Adidas seguiu uma rota diferente: o CEO Kasper Rorsted afirmou em um memorando interno vazado que deveriam "manter a empresa funcionando e aberta aos negócios... fechá-la seria fácil, mas permanecer aberta em um ambiente saudável exige coragem, persistência e foco”. No entanto, a decisão mudou no dia seguinte. Essa abordagem reativa pode ter um efeito significativo no estado de espírito dos funcionários e também prejudicar a reputação da marca entre os consumidores.


Por outro lado, a empresa chinesa Jingye, que adquiriu recentemente a British Steel, tomou a medida proativa de enviar um jato particular com equipamentos médicos e de proteção, incluindo máscaras, óculos, termômetros e luvas médicas para os funcionários de as instalações de Scunthorpe no Reino Unido bem como para o hospital local.


Empresas que garantem segurança e clareza aos funcionários e demonstram estar comprometidas não se beneficiarão apenas com o melhor ânimo dos funcionários, mas também com um ambiente confiável e a facilidade de implementar quaisquer ações futuras relacionadas à adaptação operacional ou flexibilização da mão de obra.


Concretamente, existem algumas ações e considerações que recomendamos para as empresas durante esse período.


Primeiro, as empresas devem procurar manter os funcionários em suas folhas de pagamento o máximo possível. Várias medidas de flexibilização foram implementadas pelos governos em todo o mundo, com graus variados de remuneração às empresas para ajudar a cobrir o custo dos salários. No entanto, se o ajuste do custo fixo for imprescindível para a sobrevivência do negócio, considere reduções de jornada ou licenças em vez de demissões.


Em segundo lugar, se possuir uma força de trabalho de campo, verifique se há um mecanismo de monitoramento para rastrear os funcionários e medidas para protegê-los contra os riscos que enfrentam, sempre de acordo com as regulamentações locais. Certifique-se de que estão usando equipamentos de proteção individual (EPI) adequados.


Identifique os riscos que você enfrenta e saiba como mitigá-los


Dada a incerteza inerente a essa pandemia, as empresas devem realizar novas avaliações de risco à medida que o surto evoluir. É preciso considerar as implicações humanas, financeiras, tecnológicas e operacionais de um impacto financeiro de curto prazo, de uma desaceleração econômica e de uma recessão sustentada em nível mundial.


O objetivo principal é identificar ameaças e riscos aos quais a empresa está exposta e recomendar controles de mitigação. Isso começa determinando quais ativos críticos devem ser protegidos e como certas ameaças podem afetá-los. A partir daí, as empresas devem revisar as estratégias de mitigação específicas para as ameaça e se o foco deve estar na prevenção, na detecção ou na limitação dos prejuízos. No caso em que os controles são inadequados, as empresas devem considerar medidas mais concretas de gestão dos riscos, tais como proteção física ou lógica, mudanças de procedimento ou otimização das cadeias de suprimentos. Esse processo deve ser replicado no nível corporativo e em cada site.


Normalmente, as avaliações de risco se concentram na probabilidade do incidente, mas, neste cenário, é importante se concentrar nas vulnerabilidades. É necessário reavaliá-las, o que aconteceria se elas se manifestassem e as possíveis medidas de controle que podem ser implementadas. Caso sejam adotadas novas medidas de controle, devem estar descritas na política da empresa, integradas aos procedimentos e comunicadas aos funcionários.


Por exemplo, a Laird Performance Materials, fabricante global de componentes de proteção para produtos de alta tecnologia, tomou uma medida rápida para proteger sua equipe e seus negócios quando o coronavírus apareceu. Depois de fechar as fábricas no Ano Novo Chinês, conseguiu trazer de volta 98% da força de trabalho após um mês de paralisação, sem funcionários infectados. Os pedidos dos clientes foram atendidos dentro do prazo, e a empresa foi capaz de aumentar a produção para satisfazer os níveis mais altos de demanda. O responsável pela força-tarefa da empresa no enfrentamento da COVID-19 apontou o foco intenso nas avaliações de risco como um fator-chave de sucesso da proteção dos funcionários e das operações.