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O impacto do subconsciente na tomada de decisão baseada em riscos

Publicado: Dezembro de 2016 em EHS Today


Por George D. Haber, Ph.D., DuPont Sustainable Solutions Publicado

 

Apesar de os Estados Unidos e outros países industriais continuarem investindo pesado em intervenções de segurança nas empresas a fim de diminuir as lesões no local de trabalho, há sempre espaço para melhorias na segurança, até mesmo nas organizações mais maduras. Organizações frequentemente tentam identificar intervenções efetivas para melhorar o desempenho em segurança (incluindo ferramentas, processos e mensagens aos funcionários); no entanto, falhas e lesões residuais geralmente permanecem mesmo após a implantação de tais intervenções.

 

Historicamente, organizações tem feito investimentos substanciais na prevenção e eliminação dos incidentes, especificamente nas áreas de previsão, processos e melhoria de sistemas. Muito deste investimento é - e continua sendo - enraizado nos elementos, filosofia e psicologia fundamentais da segurança comportamental.

 

As empresas são sábias em tornar a segurança comportamental a fundação para seus sistemas de gestão de segurança, mas para realmente melhorar o desempenho, organizações devem entender como funcionários tomam decisões e ensiná-los a tomar decisões melhorar para diminuir seus riscos. 

 

Tomada de Decisão

 

Estimativas indicam que as pessoas tomam dezenas de milhares de decisões todos os dias, muitas delas subconscientes[1]. Dada a complexidade da vida cotidiana, e as milhares de decisões tomadas pelos indivíduos, como as decisões, geralmente seguidas de ações subconscientes, são deliberadas, selecionadas e postas em prática, e qual o impacto dessas decisões na segurança e na cultura de segurança das empresas?

 

Para mudar ou melhorar o processo de decisão subconsciente, é importante entender que estas ações são frequentemente baseadas na psicologia comportamental. Thorndike e Skinner descobriram que ações que eram reforçadas positivamente eram prováveis de criar uma recorrência da ação, e como Pavlov descobriu, a antecipação da recompensa leva a uma resposta previsível[2].

 

Essa antecipação da recompensa torna-se um reforço cíclico da decisão. Não somente o comportamento é reforçado cada vez que é executado, mas também torna-se um fator a ser considerado na tomada de decisão.

 

Historicamente, sistemas de prevenção de incidentes têm focado na antecipação e eliminação de incidentes e centrado primariamente nos conceitos de segurança comportamental modelados no processo de decisão discutido anteriormente. Estes sistemas de segurança comportamental são essenciais em qualquer sistema de segurança, incluindo os domínios cognitivo e comportamental. Esses componentes essenciais garantem que as regras e procedimentos estejam sendo seguidos, comunicados com clareza, e alinhados com as consequências de aderir ou violar as regras. Mas até mesmo com décadas de planejamento, treinamento e sistemas de segurança, as empresas continuam sofrendo com incidentes. Frequentemente estas organizações são definidas como presas em um “platô”, incapazes de continuar suas melhorias de segurança. Um motivo para este platô é que as organizações têm dificuldade em gerir circunstâncias inesperadas ou inobservadas que não estão previstas nos processos padronizados, procedimentos ou atividade laboral em geral.

 

Novo Pensamento

 

Considere as decisões que são feitas pelas pessoas todos os dias, nas atividades cotidianas como ir às compras, dirigir, trabalhar ou simplesmente caminhar em uma rua movimentada. Para a maioria das decisões tomadas nestas situações, passamos por um período consciente de deliberação em apenas uma pequena fração das decisões. Muitas, se não a maioria, destas decisões cotidianas são feitas em variados níveis de consciência ou subconsciência[3]. Alguns estimam que, enquanto humanos tomam até 35.000 decisões por dia[4], algumas decisões são deliberadas e conscientes, mas a vasta maioria delas são feitas em diferentes níveis de subconsciência.

 

Por exemplo, pesquisadores da Universidade do Texas descobriram que usamos aproximadamente 16.000 palavras por dia[5]. A maioria destas palavras são selecionadas subconscientemente, mas ainda assim selecionadas[6]. Tomada de decisão subconsciente também é um grande fator quando estamos dirigindo um veículo. A Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (U.S. Occupational Safety and Health Administration - OSHA) revela que “motoristas tomam mais de 200 decisões durante cada milha viajada,” então dirigir 20 milhas por dia aumenta consideravelmente o número de decisões feitas a cada dia[7].

 

Sabendo que há tantas decisões sendo tomadas em um dia e que muitas delas são feitas subconscientemente, a pergunta lógica a se fazer é: o que está guiando esta grande porcentagem das nossas ações que nem sequer conseguimos lembrar? Enquanto participava de uma temporada de pesquisa em Russel Sage College, o pesquisador Christopher J. Anderson encontrou uma explicação simples que aponta as emoções e sugere que sentimentos oferecem um modelo de guia para decisões que é circular, sequencial e autorreforçante. Anderson explica que emoções primeiramente “moldam” decisões, ajudam em sua implementação, e então fornecem feedback quase imediato. 

 

Conforme um tomador de decisão amadurece e experimenta o feedback emocional ou a consequência da decisão, o feedback emocional não é mais inesperado, mas antecipado, e torna-se um fator no processo inicial de formação da decisão, como ilustrado na Figura 2 (ver PDF). 

 

É imprático concluir que sistemas de segurança comportamentais são capazes de influenciar os comportamentos de trabalhadores todos os minutos de seus dias. A maioria dos trabalhadores não são capazes de contar ou lembrar a grande maioria de suas decisões diárias, muitas delas podendo ser relacionadas a riscos (para si mesmo ou para outros). Riscos não podem ser eliminados, e regras, consequências e sistemas só podem fornecer proteção se sistemas forem implantados. Essa proteção só é possível se um trabalhador faz decisões racionais enquanto realiza atividades previsíveis, em ambientes planejados, com lucidez e alto nível de raciocínio consciente. 

 

O pensamento atual acerca da segurança organizacional requer uma abordagem que afete os elementos cognitivos, comportamentais e afetivos da tomada de decisão diante de riscos. Quando o processo cognitivo superlota, ele delega certas tarefas para o subconsciente, e ações – nem sempre positivas – logo irão seguir. Sem considerar o domínio afetivo, os condutores emocionais para tomada de decisão subconsciente não podem ser entendidos e alterados, e as organizações irão provavelmente continuar em seu platô de segurança, incapazes de fazer progresso em direção a uma cultura de segurança efetiva.

 

[1] Daum, K. (2012), Howto Make Great Decisions (Most of the Time) inc magazine, http://www.inc.com/kevin-daum/how-to-make-great-decisions-most-of-the-time.html

[2] Loewenstein, Vohs & Baumeister, 2012

[3] Sahakian, B & Labuzetta, J. N. (2013). Bad Moves: How Decision Making Goes Wrong, and the Ethics of Smart Drugs. Oxford University Press.

[4] Daum, K. (2012), Howto Make Great Decisions (Most of the Time) inc magazine, http://www.inc.com/kevin-daum/how-to-make-great-decisions-most-of-the-time.html

[5] Swaminathan, N. (2007). Gender Jabber: Do Women Talk More than Men? http://www.scientificamerican.com/article/women-talk-more-than-men.

[6] Mehl, M.R., Vazire, N., Ramírez-Esparza, N., Slatcher, R. B., Pennebakerj, W. (2007). Are Women Really More Talkative Than Men? SCIENCE, VOL 317.

[7] OSHA (2016). Guidelines for Employers to Reduce Motor Vehicle Crashes